Proteção Passiva Contra Incêndio em subestações elétricas – Uma solução que salva vidas e garante a disponibilidade.

Por Ricardo Santos

Introdução

Como forma de reduzir os riscos com a perda de equipamentos, vidas e evitar o lucro cessante a Proteção Passiva Contra Incêndio se destaca com suas medidas de compartimentação horizontal e vertical das instalações, confinando o incêndio em seu local de origem por um determinado período de tempo, esse suficiente para medidas de detecção e combate ao incêndio, bem como, a segurança estrutural das instalações evitando assim seu colapso.

Uma vez que haja a ignição do incêndio suas proporções podem tornar grandiosas e um projeto consistente de proteção passiva contra incêndio se faz necessário para garantir a salvaguarda dos equipamentos, pessoas e disponibilidade. Portanto é necessária uma análise detalhada do ambiente a ser protegido e determinar as melhores condições de proteção, com a indicação dos melhores sistemas / produtos correlacionando os testes pelos quais o sistema foi submetido e a realidade das instalações, a fim de minimizar os danos, ou até mesmo extinguí-los.

Atualmente o mercado dispõe de vários sistemas de proteção passiva contra incêndio, o que vale atentar é como os fabricantes garantem o desempenho dos seus sistemas, essa garantia se comprova através de testes e certificações. No mundo se destaca a FM (Factory Mutual) e UL (Underwriters Laboratories), que seguem os princípios da ASTM (American Society for Testing and Materials) – DIN (Deutsches Institut für Normung) – IEC (International Electrotechnical Commission).

Afinal o que é Proteção Passiva Contra Incêndio?

Define-se que “as medidas passivas de proteção contra incêndio são aquelas incorporadas diretamente ao sistema construtivo. Funcionais em situação de uso normal do edifício, reagem passivamente ao desenvolvimento do incêndio, não estabelecendo situações propícias ao seu crescimento e propagação; não permitindo o colapso estrutural do edifício; facilitando a fuga dos usuários e garantindo a aproximação e ingresso no edifício para o desenvolvimento das ações de combate, ” (BERTO, 1991) como conseqüência menores prejuízos, quanto ao lucro cessante e perda de equipamentos.

Proteção Passiva em Subestações e salas elétricas:

Devido à criticidade dos ambientes de energia no que tange disponibilidade dos serviços por ela prestada as medidas de Proteção Passiva, tornam-se cada vez mais necessário, algum tempo que a energia elétrica é um importante insumo, para o desenvolvimento das mais simples as mais complexas tarefas, sendo até imperceptível até que falte, tratando de uma planta fabril sua queda resulta em atrasos de entregas, multas, denominando assim o lucro cessante. No caso de subestações das concessionárias de energia do Brasil a criticidade torna-se ainda maior devido aos transtornos causados a população, como exemplos: equipamentos ligados que mantém vidas em hospitais e até mesmo na própria residência; semáforos que não funcionam, enfim um verdadeiro CAOS se instala.

Temos diversos cenários que demonstram que o incêndio além de causar essas paradas pode impactar diretamente na saúde e segurança do profissional que trabalham nessas áreas. Mais uma vez a proteção passiva aparece como umas grandes soluções de segurança das pessoas, além de simplesmente a salvaguarda de equipamentos e garantia de disponibilidade. Apesar de ser usado o termo “passivo”, ela é uma das medidas mais pró-ativas, pois quando instalada de forma correta o sistema que foi testado nas situações mais críticas se torna um forte aliado para as pessoas, que porventura estarão nesses ambientes e assim a brigada de incêndio/corpo de bombeiros, ou qualquer outra medida ativa para extinção do incêndio, toma as medidas de forma a gerar menos pânico facilitando sua ação.

Atualmente o Brasil conta com uma ampla gama de normas que rezam princípios elementares para Proteção Passiva nas subestações e instalações elétricas de modo geral, dentre elas se destaca:

  • NBR 13.231
  • NBR 13.859
  • NBR 14.039
  • NBR 5410

Além das diretrizes das normas reguladoras:

  • NR 10
  • NR 23

Também podemos citar as legislações de cunho Estadual, onde cada Estado da Federação incumbem o Corpo de Bombeiro Militar a escrever as IT’s(Instruções Técnicas), que visam orientar as empresas, projetista, construtores e etc. Atendendo assim uma exigência especifica de segurança contra incêndio e pânico em instalações. Em São Paulo, por exemplo, existe a IT 37 – Subestações Elétricas que trata especificamente a proteção nesse tipo de instalação.

Um fato interessante de ser frisado que as organizações que adotam essa solução garantem a segurança dessas instalações, minimizando o risco de operação das mesmas, ou seja, diminuindo os riscos as seguradoras e re-seguros são forçados a conceder descontos em seu prêmio, sendo assim, o investimento nesse tipo de solução é rapidamente retornado para as empresas.

Concluindo podemos afirmar que as medidas de Proteção Passiva Contra Incêndio é hoje uma das mais ativas e eficientes medidas que visam garantir a disponibilidade das instalações, e salvaguardas do patrimônio e vidas, se tornando imprescindível para as empresas de todos os segmentos do Brasil, principalmente as concessionárias que também assumem um papel de relevância social.

Ricardo Santos
ISOTAL – Fire Protection Services
ricardo@isotal.com.br
www.isotal.com.br

* Quer saber mais mande-me um e-mail

14 comentários sobre “Proteção Passiva Contra Incêndio em subestações elétricas – Uma solução que salva vidas e garante a disponibilidade.

  1. Ei Ricardo, bom dia!

    Gostei muito do material que vc escreveu sobre proteção passiva e ação dessas proteções contra incêndio para que os danos estruturais as empresas sejam mínimos.

    Parabens pelo documento,

    Cristiano Prado. “PONTO M”

  2. Caro
    Rocardo, gostaria de saber se é obrigatório a instalação de portas corta-fogo em subestações elétricas. Há a necessidade em todas as portas, ou somente em locais de instalação de Sala deTransformadores e Sala Baterias? Tem alguma norma especifica em referência?
    Grato,
    Igor Capelo
    igor.capelo@yahoo.com.br

    • Prezado Igor, tudo bem?

      Não existe nenhuma norma de referência onde diz que deve ser instalado em transformadores ou salas de bateria, o que existe são interpretações da norma e análise de risco feita pela própria seguradora ou gerência de risco da empresa. Atualmente a norma NBR 13231 é considerada a mais completa no que se refere PPCI ( Proteção Passiva Contra Incêndio) no Brasil, ela no seu item 3.3 define claramente o conceito “Edificação de Construção Superior”, uma edificação que apresenta critérios de resistências superiores contra fogo, calor, fumaça dentre outros. No item 5.1.1.2 norma é determinado que uma subestação deve ser de Construção Superior, ou seja, submeter a critérios definidos no item 3.3. No item 5.2.2.2 Transformadores e Reatores de Potência a norma solicita proteção aprimorada, cabendo assim uso de dispositivo para aumentar a resistência contra algum eventual sinistro, já ia me esquecendo o item 5.1.3.4 Oficina Eletromecânica – prevê a instalação de portas corta fogo segundo a norma NBR 11711. Portanto tendo uma parede construído com critérios de resistência superior, a porta torna-se um ponto de vulnerabilidade, sendo ela corta fogo, restaura a situação inicial ou o seu TRRF – Tempo requerido de resistência ao fogo.

      Na prática o que tenho visto de consenso nas empresas é a utilização de portas corta fogo nas subestações, baseado na norma NBR 11742 “Portas Corta Fogo para Saída de Emergência”, onde são dotados critérios de segurança e pânico, no caso do uso de barras anti-pânico, abertura para fora, auxiliando na evacuação em caso de sinistro e a própria 11.711 no caso de oficina eletromecânica. Geralmente cabe a avaliação da legislação local, onde está inserida a Subestação e os níveis de proteção propostos pela empresa em questão.

      Espero que tenha sido esclarecedor, estou enviando meus telefones no vosso e-mail particular, sinta-se a vontade em contactar…

      Abraço,

      Ricardo Santos

  3. Prezado Ricardo; em uma situação de incêndio em uma subestação irei dar o primeiro com extintores, porém após incontrolável com desligamento da energia elétrica posso utilizar a rede de hidrantes, existe acúmulo de energia elétrica quais são os riscos?

    Abraços

    Flávio

  4. Prezado Flávio, tudo bem? Vossa colocação segue uma coerência nas medidas de combate ao incêndio, porém essa avaliação de onde existe acúmulo de energia deve ser feita pelo profissional habilitado, como o Engenheiro Eletricista responsável pela instalação, uma vez, que ele é conhecedor do sistema. Lembro também que pode ser usada água desmineralizada, isso tudo é uma análise de disponibilidade de recursos, pessoas e etc… O histórico tem nos mostrado que um incêndio na subestação quase sempre culmina em sua destruição total, por isso, a proteção passiva ganha cada vez mais notoriedade, uma vez que ela incorpora a edificação e em alguns projetos consegue mitigar o risco de incêndio para uma destruição total a quase “zero”.

  5. Caro Ricardo,
    Gostei muito do assunto e tenho interesse, pois trabalho em area de subestação elétrica.
    Será que vc tem mais trabalhos sobre o assunto como monografias, artigos e etc, a fim de que eu possa
    fazer um estudo mais aprofundado.

    Parabéns e obrigado.

    • Prezado Ismael, boa tarde!

      Agradeço vossa atenção e consideração, tenho muito material. Encaminho em vosso e-mail dentro dos próximos dias!

      Abraço forte,

      Ricardo Santos

  6. Caro Ricardo, tudo bem!
    Sou aplicador deste tipo de sistema e gostei muito de saber que existem profissionais como voce, que conhece profundamente deste tipo de assunto. Parabéns e continue a nos privilegiar com o seu vasto conhecimento.

    Abraço!

    • Prezado Valnei, tudo ótimo!
      Fico contente em de alguma forma poder acrescentar profissionalmente na sua atividade. Sempre que puder estarei divulgando artigos dessa área, acompanhe nosso blog e obrigado pelo feedback.

      Abraço!

  7. Bom dia ricardo!
    Queria saber se salas elétricas, onde existam apenas quadros elétricos de tomadas e iluminação, é obrigatório que as portas sejam trancadas integralmente, haja vista que elas são antipânico ?
    agradeço a atenção e se puder, responda-me pelo e mail: joao.paulo.brito19@hotmail.com

    • Prezado João Paulo,

      As portas podem ser trancadas de fora para dentro, entretanto ela deve ter o mecanismo antipânico do lado interno e em caso de evacuação ela deve sim está aberta de dentro pra fora. Sempre priorizando o sentido da fuga. Desculpe a demora na reposta.

      Abraço,

      Ricardo Santos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s