Bradespar do Aço

xadrezNem Usiminas, nem CSN. No  momento,  por  mais  irônico que  possa  parecer,  ninguém veste tão bem o figurino de consolidador da indústria siderúrgica  do  que  a  própria  Vale.  A empresa tem na mão as peças necessárias para promover uma rearrumação do tabuleiro no xadrez da  siderurgia,  envolvendo com tentáculos de aço a maior parte  da  produção  do  setor.  O caminho natural aponta para a constituição de uma companhia de participações, na qual a Vale reuniria seus ativos siderúrgicos –  leia-se,  por  ora,  a  CSA,  em Itaguaí (RJ) e as futuras usinas do Ceará, Espírito Santo e Pará.

Esta “Bradespar do Aço” sairia do alto-forno na condição de acionista, com participação no bloco de controle, do maior grupo siderúrgico do  país.  Nasceria também com musculatura suficiente para um IPO de respeito. O  ponto  de  partida  para  a operação seria uma miniconsolidação envolvendo dois dos ativos da Vale. A ThyssenKrupp, parceira da mineradora na CSA, estaria disposta a entrar na futura usina do Pará como minoritária. O movimento permitiria um encontro de contas em relação às participações societárias na própria CSA,  na  qual  o  grupo alemão  é  majoritário.  Vale e Thyssen romoveriam, então, a fusão das duas usinas, dando origem à Companhia Siderúrgica das  Américas.

Em um segundo momento, as plantas do Ceará e do Espírito  Santo  passariam  a  fazer parte  da  nova  companhia  de participações da Vale. Somando-se as quatro usinas, a mineradora teria uma privilegiada posição no  capital  do  maior conjunto  de  siderúrgicas  do país, com capacidade de 15,5 milhões de toneladas por ano, o que equivaleria a 27% de toda a produção de aço no país. O complexo  siderúrgico  superaria com ampla vantagem Gerdau, Usiminas e CSN, que têm capacidade para produzir, respectivamente, dez, nove e 5,6 milhões de toneladas por ano.

A produção  da  CSA  e  da usina do Pará será voltada aos Estados Unidos. Por sua vez, a siderúrgica do Ceará terá vaga cativa na Coreia do Sul, graças à Dongkuk, sócia do empreendimento.  A incógnita  fica  por conta  do  destino  da  produção da siderúrgica do Espírito Santo, que depende da nacionalidade do futuro sócio. As parcerias mais cotadas envolvem a japonesa  JFE  Steel  e  a  Arcelor-Mittal,  esta  última  antecipada pela  coluna  Radar,  da  revista Veja. O presidente Lula estava aborrecido com a Vale e chegou a pensar na mudança do acordo  societário  da  empresa. O jornalista Lauro Jardim tinha razão.  Em  tempo:  o  eventual ingresso da Arcelor terá consequência no próprio jogo de forças da siderurgia nacional. Caso desembarque na usina capixaba, o grupo seguirá como o maior produtor de aço do Brasil, com 20 milhões de toneladas.

Parte desses planos poderia ter sido gerada dentro da Usiminas. Porém, não custa lembrar que a Vale saiu da empresa pela indisposição da siderúrgica mineira em expandir sua produção por meio da construção de dois smelters – um em Minas Gerais e outro provavelmente no Espírito  Santo  –  para  não  falar  da compra da mineradora J. Mendes. Para que esse enredo se tornasse digno de uma nova era da siderurgia nacional, só faltaria a Vale assumir junto com a CSN a construção da siderúrgica de Itaguaí, cujo projeto está parado no BNDES há mais de 15 anos, se é que já não caducou.

Mas aí seria necessário reinventar Benjamin Steinbruch.

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