Branding 3.0

modelo 2Com este novo conceito, será necessário que tenham um posicionamento coerente com o seu negócio. Entenda!

“Não adianta vestir uma ‘roupa’ verde se essa não servir em você.” A analogia faz referência ao modo como as empresas hoje buscam se inserir em um “lugar-comum” para serem chamadas de sustentáveis e ecologicamente corretas, o que, para o autor da frase, Fred Gelli, nem sempre favorece a imagem da companhia. Seguindo esse pensamento, Gelli, sócio e designer da Tátil, está desenvolvendo o conceito de Branding 3.0, apresentado pela primeira vez no Festival de Cannes deste ano.

A ideia, seguindo o mesmo exemplo dado por Gelli, é criar uma “roupa” adequada à trajetória de cada empresa que busca ter em seu cartão de apresentação o selo de sustentável. “É tudo uma questão de ter coerência. Os consumidores sabem identificar quando uma empresa está realmente comprometida ou quando só está preocupada em promover seu projeto de marketing, que muitas vezes, é de fachada”, explicou Gelli.

Para melhorar o entendimento sobre o conceito de Branding 3.0, o designer citou o fato de alguns bancos se venderem como amigos do planeta, quando a maioria das pessoas sabe que as instituições financeiras, dentro do mundo capitalista, buscam ganhar o maior volume de dinheiro no menor espaço de tempo, o que nem sempre é compatível com ações sustentáveis. “No futuro, não haverá espaço para empresas que não estejam comprometidas com o meio ambiente. É preciso encontrar o caminho adequado e criar uma equação para gerar esse comprometimento, o que prevê mudanças estruturais e nos negócios. É um processo que deve ser elaborado e aplicado gradualmente”, afirmou.
Prática

O conceito, segundo Gelli, já está sendo utilizado em alguns trabalhos para clientes da Tátil, como Natura – empresa para a qual o escritório de design e branding está desenvolvendo uma nova linha de produtos, cujos detalhes ainda não podem ser divulgados –, Coca-Cola e Wal-Mart. “Quem tem que se preocupar com a Amazônia é a Natura, que utiliza os recursos naturais da floresta em seus produtos. Essa é a mentalidade que deve ser perseguida. Cada empresa deve cuidar do seu território de atuação”.

Já para a rede varejista Wal-Mart, a Tátil utilizou o conceito em duas lojas (uma em São Paulo e uma no Rio de Janeiro), de forma a utilizar uma comunicação que fala de sustentabilidade de maneira proprietária. O objetivo foi estabelecer uma ponte entre o posicionamento do Wal-Mart “Vender por menos para você viver melhor” e seus projetos sustentáveis.

A partir da criação do conceito “Bom para o seu bolso. Bom para o planeta”, a Tátil desenvolveu uma nova marca e uma estratégia de apontar para o consumidor onde estão as iniciativas sustentáveis adotadas pela loja e como elas se revertem em benefícios diretos para o consumidor. “Em ambas as lojas foi utilizada a ‘arquitetura verde’ para reduzir os custos de energia e água no local, o que vai ao encontro do negócio da rede”, diz Gelli.

Elaboração
Para aprimorar e dar sustentação ao conceito, a Tátil estabeleceu uma parceria com consultores, de diversas áreas, da Fundação Getulio Vargas (FGV). “É um projeto multidisciplinar que ajudará as empresas a encontrarem seu lugar no futuro”, explica.

Depois de o conceito do Branding 3.0 ter sido apresentado em Cannes, Gelli já abordou o tema em dois encontros realizados no Rio de Janeiro. No total, serão seis palestras neste ano. A próxima acontecerá em São Paulo, no próximo dia 18 de agosto.

Em paralelo, está sendo desenvolvido pela Tátil um projeto chamado “Bionegócios”, que busca encontrar oportunidades na própria natureza para serem oferecidas às companhias. “Os dados funcionarão como ferramenta no processo criativo. Atualmente estamos analisando os bancos de corais, sistema no qual todos os seres se relacionam de forma harmônica. Consideramos que muitas empresas podem ser representadas por elementos presentes nos corais”, explica Gelli, completando que a ideia é que a sociedade copie o modelo de negócio feito pela natureza.

O projeto acontece no momento em que a Tátil completa 20 anos. A agência é precursora do ecodesign, projeto que persegue a criação de produtos de baixo impacto ambiental e alto impacto sensorial. Entre os clientes da empresa estão Coca-Cola, TIM, Philips, Nokia, Natura, P&G, Wal-Mart, Fiat, Unimed e Energisa.

Por Daniela Dahrouge
Fonte: PropMark (
www.propmark.com.br)
HSM Online

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